Blockchain: impactos no mercado

Já ouviu falar em blockchain por aí? Uma palavra bem diferente mas que já tem sido usada na imprensa. De forma resumida e ampla, é uma rede que funciona com blocos encadeados de forma muito segura e que sempre carrega um conteúdo junto a uma impressão digital.

No caso do bitcoin (criptomoeda) esse conteúdo é uma transação financeira. Neste tipo de encadeamento, o bloco posterior sempre contém a impressão digital do anterior mais seu próprio conteúdo e, com essas duas informações juntas, geram sua própria impressão digital.

Ou seja, a estrutura de dados que representa uma entrada de contabilidade financeira ou um registro de uma transação. Cada transação é digitalmente assinada com o objetivo de garantir autenticidade e também que ninguém a adultere, de forma que o próprio registro e as transações existentes dentro dele sejam considerados de alta integridade.

Quando uma nova transação acontece, geralmente grande parte dos “nós” dentro de uma implementação de blockchain executa alguns algoritmos e, essencialmente, avaliam o histórico do bloco individual que é proposto e, assim, chega ao consenso de que são válidos. Só depois permite-se que a nova transação seja aceita no registro e um novo bloco seja adicionado à cadeia de transações.

 

As assinaturas e verificações digitais servem para dificultar o cenário onde alguém mal intencionado possa causar uma fraude e introduz problemas que são caros de remover e sanar. A integridade criptográfica de toda a transação pendente, como também o exame de múltiplos nós da arquitetura do blockchain, protege contra ameaças e utilização mal intencionadas da tecnologia.

De fato, o blockchain pode ser configurado para trabalhar de várias formas, utilizando mecanismos diferentes, mas sempre com o mesmo objetivo que é o de alcançar um consenso sobre transações e definir participantes conhecidos na cadeia e excluir todos os outros.

Inovação do mercado financeiro

Os gastos mundiais em soluções de blockchain chegarão a US$ 2,1 bilhões em 2018, número que representa o dobro dos US$ 945 milhões registrados em 2017, segundo dados da divulgados pela consultoria IDC. Segundo as previsões financeiras para este ano, os investimentos devem crescer até 2021, com taxa de crescimento anual composta de 81,2%, chegando a US$ 9,2 bilhões.

O setor financeiro vai liderar a demanda investindo (US$ 754 milhões em 2018), em especial, os bancos. O setor de distribuição e serviços (US$ 510 milhões em 2018) terá fortes investimentos nas indústrias de varejo e serviços profissionais, enquanto o setor de produção e recursos (US$ 448 milhões em 2018) será conduzido pelas indústrias de manufatura discreta e de processos.

Mesmo com tudo isso, em janeiro de 2018, a CVM anunciou que as criptomoedas, por exemplo, não podem ser qualificadas como ativos financeiros e não podem ser adquiridas pelos fundos de investimentos regulados.

No ofício publicado, existem alertas sobre os riscos associados às transações cibernéticas, tais como segurança e particularidades de custódia. Junto disso as variáveis que vêm sendo levadas em consideração na avaliação da possibilidade de constituição e estruturação do investimento indireto em criptomoedas, sem que se tenha chegado, ainda, a uma conclusão a respeito dessa possibilidade.

Curiosidade: no início de dezembro de 2017 o valor de um bitcoin subiu para quase US$ 20 mil, então caiu para menos de US$ 12 mil no fim do mesmo mês.

Neste mercado de crescimento ascendente porém ainda incerto, já existem algumas empresas conhecidas e de capital aberto que investiram na tecnologia blockchain. A Microsoft patrocina a tecnologia blockchain e agora é membro fundador da Enterprise Ethereum Alliance (EEE), juntamente com dezenas de outras empresas, incluindo JP Morgan e Toyota. A aliança foi formada para ajudar a colaborar com um mercado online baseado na Blockchain.

 

Já a IBM, se juntou ao Hyperledger – projeto colaborativo envolvendo várias indústrias – em sua empreitada na blockchain. Governado por corporações, a Hyperledger tem cinco blocos e distribuiu projetos contabilísticos em incubação. O que a IBM está mais investido é chamado de Fabric, uma camada de bloco para soluções empresariais, que também tem o apoio de empresas, incluindo Accenture, Airbus, American Express, CME Group, Intel e outros.

No ano de 2016, a IBM focou na introdução da tecnologia blockchain no computador artificialmente inteligente criado. As aplicações potenciais incluem comunicações e pagamentos de máquina a máquina, auto diagnóstico de máquinas e auto aprendizagem de máquinas.

Uma das maiores iniciativas em andamento inspiradas na blockchain, é o Consórcio R3. Ele é formado por 70 dos cem maiores bancos do mundo. Entre eles, Barclays, BBVA, Credit Suisse, Goldman Sachs e J.P. Morgan, além do Itaú e Bradesco. Construído sobre uma versão da blockchain de acesso restrito a seus membros, o R3 pretende criar mecanismos para agilizar e simplificar operações com aplicação nos mercados financeiros globais.

Mudança também no varejo

Sabemos também, analisando de forma ampla, que o blockchain aporta valor em toda a cadeia de fornecimento: desde quando o produto ainda é uma matéria-prima até chegar às mãos do consumidor. Com o uso desta tecnologia é possível garantir a origem do produto; se existem processos de produção com impactos sociais negativos ou positivos; certificação, origem e qualidade de alimentos orgânicos; ou o monitoramento da cadeia de fornecimento no caso de produtos frescos.

No setor da moda seu principal aporte consiste em garantir a autenticidade da peça ou acessório, de maneira que se apresente como um filtro indispensável no momento de combater o alto grau de falsificações presentes em alguns países. Também pode certificar que, por exemplo, um diamante venha do mercado negro ou tenha sido roubado. Na área das artes, consegue legitimar a origem da obra.

As possibilidades do blockchain se ampliam e podem chegar a outros tipos de relações de negócio, como é o caso dos Contratos Inteligentes (Smart Contracts), aqueles acordos que têm a capacidade de se executarem automaticamente, uma vez que tenham sido definidos por ambas as partes.

O conceito não é algo novo, mas graças ao blockchain e a tecnologia de cadeia de blocos, sua execução é mais possível que nunca, ajudando as relações profissionais e tornando possível, por exemplo, a formalização de acordos entre varejistas e fornecedores em todo o mundo, com condições de imutabilidade, segurança e transparência únicas.

De forma resumida, o blockchain agrega os seguintes valores ao setor do Varejo:

  • Rastreamento da Supply Chain: as transações blockchain são incontestáveis e garantem a integridade da carga de informações, além disso, mitigam os risco de falsificação e permitem que os consumidores finais sejam capazes de verificar todas as características do produto em qualquer momento
  • Certificado de autenticidade: como o blockchain redefine o instrumentos contratuais e processos de negociação, ele poderia simplificar os mecanismos de verificação de autenticidade para os players da cadeia de suprimentos. Possíveis impactos poderiam ser registrados em instrumentos comerciais como declarações aduaneiras de mercadorias e registros de comércio internacional
  • Programa de fidelidade inteligente: além de possibilitar processos de comércio e facilitar a transferência de fundos, a programação de blockchain e a lógica de smart contracts podem fortalecer os programas de fidelidade tradicionais com mecanismos de incentivo inteligentes, alavancando tanto a experiência do usuário como o brand equity
  • Experiência de compra: por meio de mecanismos de rastreamento e prova de autenticidade, o blockchain permite que o cliente entenda e descubra a história por trás de um produto. Além disso, o pagamento contactless e os serviços móveis poderiam enriquecer a experiência de compra na loja
  • Pagamento: os pagamentos blockchain simplificam as transações e permitem que tanto os clientes quanto os varejistas se beneficiem das tecnologias de pagamentos com redução de custos e aprimorem relações de confiança entre ambas as partes

Aplicação em outros setores

Não só o setor privado está de olho nessa tecnologia. Para o poder público, as possibilidades são imensas e prometem transformar radicalmente a forma como funcionam os governos. Um dos principais usos seria para a criação de identidades digitais. Todos os registros precisam da validação dos Estados nacionais para funcionar como CPFs e RGs no mundo virtual. Entre outras coisas a serem feitas, a votação em eleições sem sair de casa, o acesso a todo o histórico médico de um cidadão de forma remota e segura e a residência eletrônica.

A Estônia é pioneira na exploração das possibilidades da nova tecnologia para atrair investimentos. Com uma população de pouco mais de 1,2 milhão de habitantes, criou ainda em 2015, um programa de residência eletrônica (e-residency). Por meio dele, qualquer pessoa, em qualquer lugar do mundo, pode ter uma identidade fornecida pelo governo local.

Sabe-se que existem uma série de lacunas a serem preenchidas até que todo o potencial da blockchain possa ser colocado em prática. Assim como nos primórdios da internet, muitas das aplicações da tecnologia estão por ser descobertas, na medida em que a infraestrutura criada para dar suporte aos desenvolvedores seja ampliada.

 

A única plataforma de blockchain realmente testada em larga escala, até agora, ainda é o bitcoin. Muitos estudiosos acreditam que a adoção em larga escala da tecnologia blockchain trará vantagens para vários negócios, mas também dará origem a novas formas de comportamento.

Uma mudança cultural na forma das relações humanas com o mercado será também o grande resultado de toda essa novidade tecnológica. Ressalvas e alertas estão sendo levantadas a todo momento, mas a ordem das coisas é fato: existe um novo mercado vindo por aí, e junto dele, todas as inseguranças e especulações naturais de quando o novo chega!

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