Brasil ainda investe pouco em inovação

Em ranking divulgado recentemente pela Bloomberg, o Brasil ficou de fora dos 50 primeiros colocados em relação ao investimento em inovação. A pesquisa levanta números e classifica os países em sete critérios, incluindo gastos de pesquisa e desenvolvimento e concentração de empresas públicas de alta tecnologia.

Apesar de ser a nona maior economia do mundo (segundo dados do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional, referentes a 2016), o País ainda está em baixas posições quando o assunto é inovação.

Sabe-se que as incertezas políticas e a recessão econômica nos últimos anos afetaram as finanças das universidades públicas, dos institutos de pesquisa e das empresas.

Áreas de P&D (Pesquisa e Desenvolvimento) ou Inovação dentro de grandes empresas e Universidades, por exemplo, nem sempre trazem resultados rápidos e palpáveis e, por causa disso, às vezes, não são prioridade na hora da alocação dos recursos.

Esse fenômeno afeta o sistema de pesquisa, cujo financiamento depende, em grande medida, do Estado. Porém, se o investimento em tipos de pesquisa resulta imediatamente em novos produtos e tecnologias, a área tende a ser vista como o mais importante, por trazer retorno tangível à sociedade.

No ranking, a Coreia do Sul continuou a ser a medalhista de ouro em inovação global pelo quinto ano consecutivo. A Samsung ElectronicsCo. é a empresa mais valiosa do país por capitalização de mercado e seus semicondutores, smartphones e equipamentos de mídia digital geraram um ecossistema de fornecedores e parceiros coreanos semelhante ao que o Japão desenvolveu em torno da Sony Corp. e da Toyota Motor Corp.

Em segundo lugar está a Suécia, e Cingapura saltou à frente das economias europeias, como a Alemanha, a Suíça e a Finlândia, e conseguiu ficar em terceiro lugar com a força de seu melhor ranking na categoria de eficiência terciária.

Outra novidade é que os Estados Unidos saíram dos 10 primeiros colocados no Índice de Inovação Bloomberg pela primeira vez em seis anos e acabaram ficando em 11º lugar. A Suécia manteve a segunda colocação.

Já a China subiu dois pontos e foi para o 19º lugar, impulsionada pela alta proporção de novos licenciados em ciência e engenharia na força de trabalho e crescente número de patentes por inovadores, como a Huawei Technologies Co.

O Japão, uma das três nações asiáticas no top 10, subiu um degrau e foi para o 6º lugar. A França subiu para a nona posição, juntando-se às outras cinco economias europeias no topo. Israel completou esse mesmo grupo.

Outra novidade é que a África do Sul e o Irã voltaram para o top 50. Os maiores perdedores foram a Nova Zelândia e a Ucrânia, caindo quatro posições. A medida de produtividade influenciou a mudança da Nova Zelândia, enquanto a Ucrânia sofreu uma redução no ranking de eficiência terciária.

 

Olhando para o Brasil

Mesmo que seja de forma tímida se comparado ao restante do mundo, o Brasil está “engatinhando” no quesito inovação. Uma das empresas que decidiu levantar esta bandeira e investir em um centro de inovação foi a Ambev. Seu investimento na área está dentro de um laboratório no Parque Tecnológico da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), na Ilha do Fundão, desde agosto passado, mas que ainda não foi inaugurado oficialmente pela companhia. Os investimentos foram de R$ 180 milhões.

A Ambev se juntou a outras grandes empresas, como a L’Oréal, que passou a fazer suas pesquisas no Parque Tecnológico em outubro do ano passado, e a outras multinacionais, como GE, Siemens, Dell EMC e a BG Group.

Entendendo um pouco da teoria

Nathan Rosenberg, grande economista e autor do livro “Por dentro da caixa-preta: tecnologia e economia”, foi professor emérito de Economia na Universidade de Standford (EUA). Ficou muito conhecido internacionalmente por causa dos seus estudos evolutivos de pesquisas sobre pensamento econômico voltado para o progresso da tecnologia analisando trajetórias e o impacto das inovações tecnológicas.

Suas teorias trazem as características específicas do estudo sobre tecnologias individuais que foram palco para o desenvolvimento e interesse de grandes economistas que procuravam a melhoria na produtividade. Em um dos capítulos o autor fala sobre o início do desenvolvimento de uma estrutura conceitual para melhorar o entendimento das conexões entre a ciência e o desempenho econômico.

 

Para o pesquisador, o conhecimento tecnológico precede o conhecimento científico. Importante salientar que ele não descarta que a falta de uma profunda ciência aplicada bloqueie e seja um obstáculo para a criação e otimização dos processos, principalmente por causa de altos incentivos econômicos atuantes. O sucesso do mercado requer, de forma objetiva, apenas o funcionamento do produto!

Dessa forma é possível afirmar que uma característica importante da alta tecnologia é a de que é responsável pelo direcionamento de novas pesquisas científicas que trazem retorno para a sociedade.

Olhando para a teoria e pensando a realidade, o que isso significa? Mesmo que os tempos sejam de crise econômica, é necessário que as grandes corporações pensem no investimento em longo prazo para a área de Inovação e P&D aqui no Brasil. Caso contrário, o atraso científico pode acarretar grandes problemas não só na visão de competitividade de produtos, mas também com a escolha no tipo de gestão de processos e pessoas.

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